É bonito ver como uma história tão familiar quanto A Noviça Rebelde ainda emociona e leva gerações distintas ao Teatro Oi Casagrande, no Leblon, para assistir à superprodução musical. O teatro, reinaugurado em maio com o musical, está espetacular: a infra-estrutura é sensacional, digna de Broadway.
O elenco, encabeçado por Kiara Sasso e Herson Capri, traz crianças que nos fazem sentir as mais diversas emoções nas longas 3 horas de espetáculo – mais os 15 minutos de intervalo. Kiara é um deleite aos olhos e ouvidos, e disso eu já sabia há anos: ela é a dona da voz da Pequena Sereia quando canta nos desenhos da Disney, e fez a Bela no musical A Bela e a Fera, que ficou em cartaz por muito tempo no Teatro Abril, em São Paulo.
Eu gostaria de encher essa página de elogios rasgados como fiz com relação a Beatles num céu de Diamantes, digirido pelos mesmos Charles Möeller e Claudio Botelho de A Noviça Rebelde, mas não posso fazê-lo. Embora conte com números musicais belíssimos que levam à incansáveis palmas da platéia – sim, me incluo nesse bolo de aplausos, porque sempre fui apaixonada pelo enredo e músicas da história -, a presença de Herson Capri no elenco desfavorece o musical. Talvez ainda não fosse a hora do ator tomar parte num projeto onde é necessário cantar e encantar: sua voz é fraca, e mal chega à terceira fileira do teatro – sim, eu estava nela e, sim, ele estava com microfone.
Outro ponto negativo é a escolha do horário para a exibição do espetáculo: vá lá que as pessoas precisam de tempo pra sair do trabalho e chegar ao teatro, mas uma peça marcada para as 8h30 da noite que só termina à quase meia noite também não é muito razoável.
Não posso dizer que não valeu a pena, porque vale: é uma delícia para os olhos ver tantos cenários magníficos numa super produção como não vemos todos os dias por aqui, tendo finalmente a certeza de que as pontes aéreas para assistir a peças de maior porte cenográfico não precisam ser mais tão rotineiras, mostrando que na Cidade Maravilhosa também há espaço para tais produções.